Solidão: porque me sinto só até mesmo na presença dos outros?
- Daniel Hennemann
- 16 de jul.
- 2 min de leitura
Atualizado: 17 de jul.

O sentimento de solidão faz parte da existência humana. É comum que em alguns momentos nos sintamos distantes do mundo e das pessoas que nos são importantes, mesmo que estas queiram nossa companhia e nos queiram bem. Há muitos motivos para uma pessoa se sentir só, desde a pessoa que vive uma realidade de isolamento de fato, onde a pessoa se encontra sem uma rede de vínculos e suporte, até uma pessoa que tem familiares, amigos, seguidores, em um grande centro urbano.
Posso estar sozinho em uma praia deserta e ali estar me sentindo muito bem, mas posso estar no mesmo cenário me sentindo completamente isolado e abandonado. O mesmo pode acontecer caminhando em uma cidade no meio de uma tarde qualquer, ou num almoço de domingo com minha família.
Sentir-se só não diz respeito somente à presença física de outras pessoas, mas à qualidade da presença, ao tipo de vínculo, às nossas habilidades de nos comunicar e nos fazer compreender, e de nos sentirmos compreendidos e valorizados socialmente. Há uma dimensão subjetiva no sentimento de solidão.
A qualidade dos nossos vínculos influencia em nos sentirmos amparados , mesmo quando sozinhos. Poder contar de fato com alguém, para assuntos objetivos ou subjetivos, é algo raro, pois demanda confiança, no outro, e em nós mesmos, o que é um trabalho que precisa de tempo, cuidado, experiências de vida, compartilhamento.
Em tempos onde as redes sociais mais simulam conexões do que efetivamente conectam, e o tempo parece que nos escapa, o sentimento de solidão aparece com mais frequência do que o que poderia ser uma solidão “saudável”.
Nos processos terapêuticos, mesmo quando o que motiva o paciente é um outro assunto, uma outra demanda, é comum falarmos também do assunto da solidão, dos vinculos, da qualidade do nosso tempo, se estamos sendo capazes de estar só, assim como de estar de fato presentes, na presença dos outros.
Parte do processo de nos vincularmos a outras pessoas, vem da percepção de que o sentimento de solidão faz parte da existência, e é portanto, “comunitário”. Cada pessoa tem seus momentos de solidão e maior ou menor dificuldade de socializar, e de se sentir bem consigo mesmo. O processo terapêutico é um espaço onde é possível olhar para essa e outras questões, onde podemos cuidar de nossa própria solidão, para ter também a alegria de poder confraternizar com os outros, com mais presença e autenticidade.


